A criança e a Igreja (II)

A criança também tem a necessidade de reconhecer o seu pecado, de se arrepender e de aprender que Deus a ama de tal maneira que quer ter um relacionamento com ela. Quanto mais cedo o ser humano aprender que Deus o ama, mais seu relacionamento será alicerçado na Palavra que salva, edifica e promove a libertação do pecado.
Quando se fala em evangelização infantil, não podemos deixar de lembrar que a criança deve ser evangelizada na sua própria linguagem, pois elas aprendem com mais facilidade quando visualizam e ouvem. É necessário que as igrejas invistam nas crianças da mesma maneira que fazem com os "cafés para empresários".
Para algumas igrejas, comprar livros bíblicos com historinhas ilustradas, flanelógrafos, fantoches e brinquedos para a "brinquedoteca", entre muitas outras coisas, é encarado como um investimento caro e, principalmente, não compensatório.
Investir na criança pode gerar salvação. Se observarmos o índice de adultos que aprendeu a Palavra de Deus na infância, concluiremos que "ensinar a criança no caminho em que deve andar para que ela não se desvie dele quando envelhecer" é uma grande verdade (Pv 22.6).
Quando Jesus demonstrou as qualidades dos moradores do céu, não citou as qualidades dos sacerdotes, dos catedráticos nas Escrituras, dos levitas ou dos apóstolos, mas apresentou as características de uma criança: "Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus" (Mt 18 1-3).
As características que Jesus mostrou para aqueles que perguntaram quem é o maior no reino dos céus são bem diferentes daquelas observadas nos dias de hoje. Às vezes, queremos ser como o pregador "A", como o conferencista "B", como o profeta "C" ou como o apóstolo "D", mas nunca queremos ser como uma criança.
A humildade é a característica fundamental do morador do céu: "Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus" (Mt 18.4).
Será que temos humildade para entender que devemos ser como uma criança? E que as crianças são importantes para o reino de Deus?
O tropeço na vida espiritual das crianças se torna mais fácil quando elas percebem que os seus pastores não reconhecem a sua importância. Receber as crianças é o mesmo que receber o próprio Jesus (Mt 18.5).
O Senhor disse que aquele que fizesse um dos pequeninos tropeçar, seria melhor que lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e se submergisse na profundeza do mar (Mt 18.6). E ainda acrescentou: "Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus" (Mt 18.10).
Os principais sacerdotes se enfureceram quando os pequeninos reconheceram quem era Cristo e o adoraram: "Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se" (Mt 21.15). Jesus não hesitou em respondê-los: "Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?" (Mt 21.16).
Se Jesus reconheceu a importância dos pequenos adoradores. Se Jesus nunca os afastou de seu ministério. Se Jesus deu o devido valor às criancinhas, a ponto de usar suas características para dizer quem morará no céu. Se Jesus repreendeu os discípulos quando quiseram se opor às crianças. Então, quem somos nós para impedir que as crianças tenham livre acesso ao Salvador?
Quem somos nós para impedir a participação das crianças nas programações da igreja?
Quem somos nós para não dar o valor que Jesus deu às crianças?
Seria mais prudente fechar as portas da igreja do que manter este tipo de atitude, que não condiz com as características do verdadeiro Corpo de Cristo.
Deixemos que as crianças venham até Jesus, porque delas é o reino de Deus.
por Alexandre Farias
editor de Apologética Infantil do INPR Brasil
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