A criança e a Igreja (I)

"As crianças são o futuro da igreja. "Um dia, as crianças estarão em nosso lugar."."Diácono, domine essas crianças, pois elas estão atrapalhando o bom andamento do culto. Vamos ter uma programação para a família, mas as crianças não poderão participar". Quem nunca escutou nas igrejas declarações semelhantes a essas sobre as crianças?
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Algumas dessas frases poderiam ser engraçadas se não expressassem como a igreja tem tratado mal os nossos pequeninos. Queremos levar nossos leitores a refletir sobre o relacionamento das crianças com a igreja, sobre como Jesus se relacionou com os pequeninos e de que maneira a igreja vê as crianças.
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Quando algumas crianças foram ao encontro do Mestre para que ele as tocasse, os discípulos as repreenderam, evitando sua aproximação. Essa mesma atitude é percebida nas ações de alguns diáconos e líderes de nossas igrejas nos dias de hoje.
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Jesus nunca pediu para que as crianças fossem retiradas do local de suas mensagens. Pelo contrário, quando viu a atitude dos discípulos, repreendeu-os e ficou indignado, pedindo para que deixassem as crianças ter livre acesso a ele: "Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus" (Lc 18.16).
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O Mestre sabia que impedir as crianças de ter acesso a ele seria o mesmo que ignorar a importância delas para o reino de Deus. Imagine o leitor: ser membro de uma igreja e não poder se aproximar do pastor para uma conversa!
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Qual é a criança que ama alguém que a despreza? Como uma criança sentirá prazer em ir a um lugar onde é excluída? Será que esta pergunta não deveria ser feita para alguns ministérios evangélicos?
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Pode parecer contraditório, mas quando algumas igrejas promovem as nomeadas "programações da família", os pais recebem orientação para deixar seus filhos em casa com a avó, com a vizinha ou com uma irmã, para que a programação saia como planejada, da melhor forma possível. Perguntamos: "Será que tais programações são realmente direcionadas à família?".
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Os filhos fazem parte da família. São "personagens" principais e não coadjuvantes. São bênçãos e não maldição. Devem estar sempre presentes nas programações para que saibam que têm lugar na família de Deus, que é a igreja. Não entendemos que as crianças devem fazer parte de todas as programações, mas que deveriam participar de algum tipo de atividade na maioria delas.
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Se a igreja promover uma programação específica para casais, por exemplo, é recomendável que procure a ajuda dos professores do ministério infantil para elaborar algo voltado para os filhos dos casais participantes.
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Existem igrejas que possuem estrutura predial ampla e adequada para o oferecimento de trabalhos com as crianças, mas, infelizmente, não têm o objetivo de evangelizá-las.
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Certa vez, perguntaram-me porque as crianças são tratadas dessa forma. Não demorei a responder: "Existem igrejas que não têm programações para as crianças porque elas não são dizimistas ou empresárias e não podem participar de algumas campanhas ‘desafiadoras’".
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Os líderes dessas igrejas não têm interesse em promover programações para quem apenas dá "prejuízo" aos caixas eclesiásticos.
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Reconhecemos que muitas igrejas investem nas crianças, fazem evangelização em escolas, nas creches e nas ruas, demonstrando o verdadeiro amor que Jesus tem para com os pequeninos. Preparam os seus professores e investem em cursos especializados para a evangelização das crianças. Entretanto, essa iniciativa é rara.
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Os pastores e líderes de ministério precisam entender que "a criança é a igreja de hoje e não do futuro". Se pensássemos desta maneira, muitos problemas não existiriam em muitos ministérios.
por Alexandre Farias
editor de Apologética Infantil do INPR Brasil
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